terça-feira, 19 de agosto de 2008


Pensei nas dores do mundo
e fiquei mudo!
Melhor seria que ficasse cego...

Ânsia

Meu Deus, vomitei palavras!
E agora como devo limpar?
Vou passar um mata borrão de idéias,
jogá-las no cesto do pensamento,
e chacoalhar, chacoalhar!
do que não formar poesia,
monto um dicionário...

Novidade

O ponto final me invadiu a alma.
Cravou no meio da minha estória
uma lista de haikais.
Vejo a vida com brevidade,
mas sem profundidade, jamais.

Haikai 7 - movimento


No giro do infinito,
ouvi o grito
do coração caliente.

Haikai 6


Solidão confortável.
Coração complacente.
Criando coragem...

Passou - Haikai 5


Se foi...
Se fui?
sim,
mas botão murchou.

Haikai 4 - curso...

Rio desaguou,
nas pedras chocou
explode de amor!

Ice


Calota de gelo.
Ao vê-lo,
aurora boreal.

Haikai 3

Eu quando crescer
quero é ser pequena
sem dó nem pena
de me fazer sorrir.

Haikai 2


Acho que já fui estrela,
mas sou astro em declínio.
Já ardi bem mais...

Haikai 1

Zen
Com
Nós

Passagem

Quando daqui me for
escrevam em meu epitáfio:
"Daquela que ficou o quanto queria,
que viveu como bem quiz,
com a certeza de que a dor e a alegria
são dois lados do ser feliz!"

Caminhando

Nos contornos dos meus traços repousa meu caminho
Cada sol amanhecido, cada estrela que se apaga,
Tudo, tudo, tudo em mim deixa sua marca.
Então de mim mesma me demovo
E chego ao ponto crucial:
O que me faz parte de um todo
É não ser nem de mim, igual.
Faço parte do que vejo
Irmão-sol, irmã -Lua
Vou seguindo delirante
Parte inerente e semi-importante
Do que criou a mão Sua.
E no exercício diário da minha certeza sobre Ti
Mostras Tua Face em cada pedra do caminho
Cada riso e cada dor, tem de Ti um pedacinho.
E por isso vou bem firme,
Passo forte, passo largo,
De quem segue além da morte
Pois tudo já foi aqui mesmo encontrado.

domingo, 10 de agosto de 2008

Lavoura


Sinto-me no plantio de uma vida, onde aro o solo fértil com carinho, amor e muita gratidão. Sei que vou colher nada menos que o bastante em sua etimologia da palavra: nem de sobra, nem de falta, somente o que me basta. E bastar é muito, é por demais felicidade, faz da vida um conforto, uma aventura de criança sem idade.
E com isso não se foi o sonho, pois sonho a todo o momento com o momento do meu viver assim se configurar. Meu presente se mostrar bastante de tal maneira e constante, que o meu futuro, irremediavelmente irá contaminar.
E contaminada hoje pela graça de sentir o cheiro do meu bastante que me vem trazido pelos ventos contrários ao meu rosto e olhar, sento no meu jardim, sinto o vento, olho o céu, converso com meu manacá que floresce em explosão, vejo na pracinha a vida acontecer. Em nenhuma ocorrência apoteótica, nenhuma grande descoberta científica. Somente o bastante. O bastante para um dia feliz.