
Hoje eu me vi em uma terra estranha. Era uma terra triste, sem sol, sem flores, sem perfume... era uma terra sem sentimentos. Lá o amor e o ódio tinham a mesma cor, mesmo tom, mesmo cheiro...
Não haviam tons e nem diferenças, tudo monotonamente igual.
Quem ama é o mesmo que odeia, quem ri é o mesmo que chora, tudo cinza, só cinza...
Ao ver uma terra tão sem vida e sentido, meu coração pulou! Como ficar aqui sem também assim me sentir?
O pulo foi dando lugar a um vazio, muito, muito profundo. E de repente a alegria se fez estranha, amor se fez estranho, sentir se fez estranho...
E senti novo baque em meu coração. Dessa vez ele foi se encolhendo, encolhendo, até quaaaaase sumir...
Me assustei! Corri! Saí correndo, com medo, sem olhar para trás, correndo muito, segurando meu peito pra que dentro dele, meu coração resistisse.
Corri tanto que quando dei por mim, estava nas montanhas que ficavam além da saída da cidade. E somente então, no alto delas, olhei pra trás, para a cidade que tinha deixado lá embaixo.
E foi então que vi os que haviam ficado na cidade. Em seus peitos todos traziam a mesma coisa: um grande buraco!
Um buraco seco, com forma sólida, quase padrão, assim como suas faces sem expressão, apáticas e iguais...
Mais uma vez, o meu peito doeu. Mas dessa vez pra me lembrar que ainda batia, como que feliz. E sabendo que ainda sentia, olhei novamente para aqueles meninos vazios, sentei e chorei...
