segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Pro outro lado do mundo


Flor na minha mão.
Em um segundo,
transporte pro Japão...

terça-feira, 19 de agosto de 2008


Pensei nas dores do mundo
e fiquei mudo!
Melhor seria que ficasse cego...

Ânsia

Meu Deus, vomitei palavras!
E agora como devo limpar?
Vou passar um mata borrão de idéias,
jogá-las no cesto do pensamento,
e chacoalhar, chacoalhar!
do que não formar poesia,
monto um dicionário...

Novidade

O ponto final me invadiu a alma.
Cravou no meio da minha estória
uma lista de haikais.
Vejo a vida com brevidade,
mas sem profundidade, jamais.

Haikai 7 - movimento


No giro do infinito,
ouvi o grito
do coração caliente.

Haikai 6


Solidão confortável.
Coração complacente.
Criando coragem...

Passou - Haikai 5


Se foi...
Se fui?
sim,
mas botão murchou.

Haikai 4 - curso...

Rio desaguou,
nas pedras chocou
explode de amor!

Ice


Calota de gelo.
Ao vê-lo,
aurora boreal.

Haikai 3

Eu quando crescer
quero é ser pequena
sem dó nem pena
de me fazer sorrir.

Haikai 2


Acho que já fui estrela,
mas sou astro em declínio.
Já ardi bem mais...

Haikai 1

Zen
Com
Nós

Passagem

Quando daqui me for
escrevam em meu epitáfio:
"Daquela que ficou o quanto queria,
que viveu como bem quiz,
com a certeza de que a dor e a alegria
são dois lados do ser feliz!"

Caminhando

Nos contornos dos meus traços repousa meu caminho
Cada sol amanhecido, cada estrela que se apaga,
Tudo, tudo, tudo em mim deixa sua marca.
Então de mim mesma me demovo
E chego ao ponto crucial:
O que me faz parte de um todo
É não ser nem de mim, igual.
Faço parte do que vejo
Irmão-sol, irmã -Lua
Vou seguindo delirante
Parte inerente e semi-importante
Do que criou a mão Sua.
E no exercício diário da minha certeza sobre Ti
Mostras Tua Face em cada pedra do caminho
Cada riso e cada dor, tem de Ti um pedacinho.
E por isso vou bem firme,
Passo forte, passo largo,
De quem segue além da morte
Pois tudo já foi aqui mesmo encontrado.

domingo, 10 de agosto de 2008

Lavoura


Sinto-me no plantio de uma vida, onde aro o solo fértil com carinho, amor e muita gratidão. Sei que vou colher nada menos que o bastante em sua etimologia da palavra: nem de sobra, nem de falta, somente o que me basta. E bastar é muito, é por demais felicidade, faz da vida um conforto, uma aventura de criança sem idade.
E com isso não se foi o sonho, pois sonho a todo o momento com o momento do meu viver assim se configurar. Meu presente se mostrar bastante de tal maneira e constante, que o meu futuro, irremediavelmente irá contaminar.
E contaminada hoje pela graça de sentir o cheiro do meu bastante que me vem trazido pelos ventos contrários ao meu rosto e olhar, sento no meu jardim, sinto o vento, olho o céu, converso com meu manacá que floresce em explosão, vejo na pracinha a vida acontecer. Em nenhuma ocorrência apoteótica, nenhuma grande descoberta científica. Somente o bastante. O bastante para um dia feliz.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

emaranhado...



Hoje me sinto gato, com a garganta arranhada por sua bola de pelos.
Mas que me lembre, não me lambi e não me banhei assim...
Mas a sensação continua. Tem algo que quer sair, e não sai.
Pigarreio... tusso... tento soltar. Mas não me quer largar esse sufoco...
Penso: gripe? Não... dor de garganta chegando? Também não...
O que pode ser? Penso em algo que me aflige...
Me aflige o tempo... ou a falta dele.
Me aflige o muito a ser feito e o pouco tempo pra tudo que é, em seu todo, tão importante.
Me aflige sim, mas nem tanto. Sei que é possível...
Me aflige mesmo estar muda e calada, de mãos atadas, sem tempo pra contemplar e então escrever.
Estou em crise de abstinência. Não química, mas dicionárica. Abstendo-me das palavras, ou melhor, de coloca-las para dançar. Adoro o seu baile.
Ontem li muito e muitas coisas. Castañeda, Garcia Márquez, mas isso não foi suficiente pra minha sede de palavras. Ou melhor, me encheu de mais palavras, aumentou minha sede...
A garganta me incomoda...
Agora sinto algo pior, sinto que algo quer sair. Pigarreio de novo. Parece que ta soltando... ponho a mão em frente a boca.
Tusso com força...
Olho pra mão... A letra A? E mais um T, um O, muitas, muitas letras, entrelaçadas, repetidas...
E a tosse continua, e as letras continuam saindo...
Se juntam, unidas em palavras, estrofes, linhas poéticas e não também...
A garganta subitamente melhora.
Na mão, frases, estórias, poemas...
O relógio avança...
O tempo é curto, mas a letra chama... o papel em branco reclama...
Então, em nome da garganta, vai recomeçar a dança...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Já pensou??



Você sabe o que é o azul?
No céu de outono vai encontrar a resposta.
Sabe definir o amarelo?
O girassol pode te contar com detalhes.
E o verde, do que é feito?
A graminha que cresce nas frestas do asfalto é capaz de dizer.
O rosa?
Veja as bochechas das crianças felizes...
Ahhhh o vermelho...
Uma só maçã é capaz de mostrar. E ainda tem o perfume...
E de que cor é a felicidade?
Em qual tom ela se mostra mais vibrante?
Qual o cheiro que ela exala?
Penso que ela tem a cor de um sorriso,
O perfume da terra molhada,
O som do desabrochar de uma flor.
E penso ainda que ela não está no que é do homem,
Só há como encontrá-la naquilo que vai além.
Então o melhor é se nutrir das cores,
Sabores, odores do viver.
O resto, pra que entender?
Passar pelo mundo e sorrir,
Trilhar por vias conturbadas, mas belas.
Construir passo a passo o caminho.
Encontrar o que temos que encontrar,
Viver o que há pra sentir,
E seguir, seguir sempre.
No sentido do que faz sentido.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Pensamentos...

Aquele que domina o coração, domina o mundo.
Mas apenas o que resiste aos apelos do ego, dominou a si mesmo.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Pequeno dicionario do sentimento




MELHORES VERSOS -
os que provêm do coração cheio de essência e não somente da métrica e palavra.
O que vem para traduzir os sentimentos, gritá-los aos quatro cantos e não pela plástica aparência.
Que tem raíz na alma e não no ouro de tolo do ego, pois poesia sem sentimento é pão sem manteiga, Romeu sem Julieta, macarrão sem queijo, amor sem beijo...

POETA -
ser que não vive sem a poesia dos MELHORES VERSOS no papel em branco de sua vida.

quarta-feira, 25 de junho de 2008



Hoje eu me vi em uma terra estranha. Era uma terra triste, sem sol, sem flores, sem perfume... era uma terra sem sentimentos. Lá o amor e o ódio tinham a mesma cor, mesmo tom, mesmo cheiro...
Não haviam tons e nem diferenças, tudo monotonamente igual.
Quem ama é o mesmo que odeia, quem ri é o mesmo que chora, tudo cinza, só cinza...
Ao ver uma terra tão sem vida e sentido, meu coração pulou! Como ficar aqui sem também assim me sentir?
O pulo foi dando lugar a um vazio, muito, muito profundo. E de repente a alegria se fez estranha, amor se fez estranho, sentir se fez estranho...
E senti novo baque em meu coração. Dessa vez ele foi se encolhendo, encolhendo, até quaaaaase sumir...
Me assustei! Corri! Saí correndo, com medo, sem olhar para trás, correndo muito, segurando meu peito pra que dentro dele, meu coração resistisse.
Corri tanto que quando dei por mim, estava nas montanhas que ficavam além da saída da cidade. E somente então, no alto delas, olhei pra trás, para a cidade que tinha deixado lá embaixo.
E foi então que vi os que haviam ficado na cidade. Em seus peitos todos traziam a mesma coisa: um grande buraco!
Um buraco seco, com forma sólida, quase padrão, assim como suas faces sem expressão, apáticas e iguais...
Mais uma vez, o meu peito doeu. Mas dessa vez pra me lembrar que ainda batia, como que feliz. E sabendo que ainda sentia, olhei novamente para aqueles meninos vazios, sentei e chorei...